Atenção, post muuuuito longo!
A história destas trufinhas crudíveras começou com a página
Felt by Heart. A história da Joana é interessante: teve alguns problemas alimentares (anorexia, bulimia), contava calorias, passava a vida angustiada e, acredito, a ver a alimentação mais como uma inimiga que como uma aliada. Então um dia, decidiu abolir completamente os alimentos processados, as farinhas, o açúcar refinado, o sal e as manteigas, e aumentar consideravelmente o consumo de frutas, vegetais e alimentos simples. Um pouco à semelhança do Homem nos primórdios da Humanidade.
Independentemente do quanto é possível dizer sobre este assunto (tanto de uma maneira positiva como negativa) houve certas coisas na alimentação da Joana que me interessaram e me fizeram pensar. Em primeiro lugar, foi a questão das frutas e vegetais. Este ano, talvez devido aos livros da Ágata Roquette, não sei (até parece que estou a fazer uma campanha contra a nutricionista, nada disso, até acho que ela merece muito respeito, mas simplesmente não consigo confiar numa pessoa que me diz para beber coca-colas light) parece que se declarou uma guerra aberta às frutas e vegetais - principalmente às frutas.
 |
| E por isto, várias frutas ficaram deprimidas |
É por todo o lado ouvir gente a minar-me o prazer de comer fruta à vontade (ou seja, em blogues, sites e no ginásio!). Porque faz mal aos rins, porque tem demasiado açúcar, porque engorda, porque aumenta o apetite, porque não sacia. Isto choca-me um bocadinho, principalmente quando essas pessoas me aconselham a substituir as frutas por salsichas enlatadas, fiambres de peru, iogurtes light, barrinhas de cereais e queijinhos frescos. Assim é que vou conseguir ficar magra, não é a comer fruta à maluca. Nem à base de sopinhas, cheias de legumes proibidos a quem quer manter a linha.
 |
| Pobres pêras. |
Ok, neste aspecto não sou grande exemplo porque, bem, porque na verdade sou gorda. Não sou obesa, mas efetivamente tenho peso a mais para os parâmetros atuais e não tenho grande moral para falar de perder peso (nem sou nutricionista, tão pouco!). Acredito, como a Joana, em evitar os alimentos processados ao máximo (muito raramente como e nunca compro batatas fritas, chocolatinhos, salsichas de lata, bolachas e bolos de compra, por ex.), não usar manteigas nem margarinas para cozinhar, em comer doses industriais de legumes variados e preparados das mais diversas formas, e em comer fruta à vontade, sem contar as calorias. E fazer exercício físico, correr e saltar a vontade, sem me dar o badagaio.
Na minha família dura-se até aos 100 anos. As minhas análises estão fantásticas (com o "mau" colesterol a níveis baixíssimos), raramente me constipo (estou adoentada agora, mas passei 2013 sem uma única constipação) e tomei antibiótico duas vezes desde que me lembra de ser gente (fora as vezes em que tirei os dentes do siso...). Como doces uma vez ou duas por semana, é verdade, mas para algumas pessoas isto é comer doces raramente, acreditem ou não (já me disseram que tinha a mania das dietas por isto!). E acho que uma alimentação equilibrada, sem paranóias nem extremista (toda a gente gosta de um chocolate de vez em quando), farta em frutas e vegetais e pobre em alimentos processados me traz menos doenças e mais anos de vida, apesar de alguns bons genes também deverem ter o seu peso na equação. Também não podemos cair na tentação de dizer que uma boa alimentação nos vai proteger de doenças, mas eu gosto de sentir que estou a cumprir o meu papel.
E com isto não estou a condenar ninguém, mas a definir as minhas prioridades. Comer para mim é um prazer, as refeições em família são um dos meus momentos preferidos do dia e a alimentação tem como objetivo proporcionar-me bem-estar e dar-me saúde e força suficientes para fazer as minhas tarefas do dia-a-dia. As frutas e os legumes são meus aliados, e não meus inimigos. Dão-me vitaminas, água, fibras e muitas outras coisas boas. Se tenho um pouco de peso a mais para os parâmetros da sociedade, dentro ainda do IMC normal, sinceramente... paciência.
Por amor de Deus, é só comida. Ultimamente, apetece-me comentar algumas conversas e alguns blogues com mensagens iradas. A culpa deve ser do SPM, deve ser qualquer coisa hormonal, mas já me ando a passar com as salsichas, os queijinhos frescos, as gelatinas e a coca-cola light e as paranóias do peso vindas de gente que já é magra.
Sobre isto, há um post excelente no blogue
The Love Food que aconselho toda a gente que se interessa por este assunto a visitar.
E agora vou mas é comer uma trufinha destas. Cheias de calorias e hidratos de carbono, mas com coisas boas que me põem os intestinos a sorrir e que, acredito eu, me vão passar pelo organismo sem ficarem agarradas às minhas coxas. E acompanhadas por fruta, têm feito parte dos meus lanches ultimamente. E vieram para ficar, por isso preparem-se para as próximas variedades!
(Receita baseada nas receitas da página do Felt by Hearth)
Ingredientes (8-10 bolinhas)
1 chávena de aveia
1/2 cháv. sultanas pretas
1/2 cháv. amêndoa aos pedaços
2 c. sopa de alfarroba
1 c. sopa de linhaça moída
1 c. sopa de mel
Modo de fazer:
Num robot de cozinha, triturar a aveia até ficar uma farinha fina. Triturar as passas até ficar uma pasta pegajosa, da consistência da manteiga de amendoim. Triturar também a amêndoa até ficar uma pasta (ter cuidado para o robot não aquecer demasiado, ir parando e tirando a amêndoa dos lados da máquina com a ajuda de um
salazar). Misturar isto num alguidar ou tigela com o resto dos ingredientes (gosto de aquecer o mel primeiro), de forma a que dê para moldar pequenas bolinhas. Se a massa estiver ainda muito seca, juntar mais mel ou uma colherinha de azeite.
Bom apetite!
Podia juntar aqui as calorias por porção, mas quero manter-me na ignorância de propósito!
 |
| Lanche! |