Apesar deste post já vir atrasado (era para ter sido publicado dia 15), foi escrito com muito carinho. Ainda para mais é a primeira vez que faço parte de uma blogagem colectiva!
Não sabia o que dizer do "Encantamento", do "Enamoramento". Fiquei um pouco apreensiva: que posso eu dizer sobre uma coisa que nunca me aconteceu? Nunca fui de paixões (nunca me apaixonei, no sentido literal e arrebatador da palavra), muito menos de amores à primeira vista. Borboletas no estômago não é comigo. Estava um pouco apreensiva quanto ao que ia escrever neste post. Encantamento, o que será ao certo a fase de encantamento? Eu sou daquelas pessoas que são apaixonadas pela vida, mas no que toca a pessoas sou mais de paixonetas, apesar de não gostar muito desta palavra. Paixões que nem o chegam a ser, por serem tão “do momento”, tão efémeras e passageiras como nuvens mal semeadas numa tarde de verão.
Por acaso (ou não, que o acaso é sempre subjetivo para mim), dei por mim a ver as fotografias e filmagens dos meus primos. Porque eu, apesar de ser uma pessoa de paixonetas, sou também uma pessoa de primos, de família, dos “meus meninos”. E dei por mim a ver as suas caritas sorridentes, os seus beicinhos plantados no meio de bochechas bolachudas, as filmagens dos beijinhos para a câmara a seguir ao “adeus prima!” da praxe e percebi que o encantamento é isto. É olhar pela primeira vez para a carinha do membro mais novo da família, pegá-lo nos braços, sentir-lhes o cheiro a água-de-colónia e a amaciador de roupa e ficarmos automaticamente apaixonados. É inevitável. E isso vai-se constantemente renovando quando corro atrás de uma miúda irrequieta e lhe faço cócegas na barriga até não se ouvir mais nada do que gargalhadas, quando lhes pego nas mãozinhas sapudas e ajudo-os a atravessar a rua (“tu vê lá os carros!”), quando acedo a um pedido feito com voz fininha para que a eu diga que sim. Quando lhes conto uma história. Quando os vejo correr atrás uns dos outros. Quando me dão um último abraço só para adiar o momento em que me vou embora. E sinto o mesmo que da primeira vez que lhes peguei ao colo: puro encantamento.
E para ilustrar esta fase, em que tudo parece doce, fofo e leve, nada melhor do que uma das minhas sobremesas favoritas: Farófias!
Ingredientes:
3 ovos
1/2 L de leite
1 "tampa" de essência de baunilha.
6 c. sopa de açúcar
2 c. chá de preparado de pudim flan instantâneo ou farinha maizena
Modo de fazer: Bater as claras em castelo com 3 c. de açúcar. Num tacho, misturar o leite com o restante açúcar e a essência de baunilha e levar ao lume. Quando estiver quente, cozer "colheradas" do preparado das calras em castelo, virando de vez em quando. Retirar com uma espumadeira e pôr em tacinhas ou numa taça grande quando estiverem firmes (mas não duras demais). Dissolver as gemas batidas e o preparado de pudim/farinha maizena num pouco de leite frio e incorporar no leite. Mexer com uma vara de arames até ficar mais consistente. Despejar cuidadosamente nas tacinhas/taça, polvilhar com canela e levar ao frio até servir.
Bom Apetite!










