quinta-feira, 19 de abril de 2012

Venda de Compotas - Páscoa!

Olá a todos! Aos poucos vou publicando as receitas da Páscoa. Mas antes das receitas, tenho de falar da nossa maravilhosa venda de doces na feira de produtos regionais na terra do meu pai, que contribuiu, e muito, para me alegrar o domingo de Páscoa!

Como já escrevi aqui no blogue, todos os anos fazemos uma quantidades descomunal de doces, Aqui por Lisboa ninguém parece muito interessado em compotas, de maneira que ainda tínhamos muitos. No dia de Páscoa na terra do meu pai costumam fazer uma feira de produtos regionais, e decidimos aproveitar a oportunidade! Apostámos no barato e na boa disposição, de modo que é uma experiência, decididamente a repetir, não tanto pelo dinheiro mas também (e principalmente!) pelo convívio.

Aqui vai a minha modesta reportagem fotográfica:

Eu e a minha sissi (vulgo mana) a posar como se fossemos as divas das compotas 


Perspectiva da direita

Perspectiva da esquerda...


Compotas a um euro!


As tostinhas barradas generosamente com doce para ninguém se queixar que comprou enganado!



Tínhamos imensa variedade: amora, gila, gila com canela, ameixa, pêra... foi só escolher!



Volto a relembrar que quem quiser encomendar pode deixar mensagem aqui ou enviar um e-mail para maosdemanteiga11@gmail.com. Os preços variam conforme o frasco (5 euros o kg, arredondando para baixo). Variedades ainda disponíveis: pera em calda, doce de pêra, doce de gila e doce de ameixa.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Desencantamento - Profiteroles com gelado de limão



Olá a todos! Para (não) variar, lá volto eu a participar na Blogagem Colectiva - Amor aos Pedaços. Esta publicação custou-me um bocado a fazer, não por ter sido difícil arranjar inspiração, mas porque costumo ser bastante reticente em partilhar coisas minhas e expor a minha intimidade, ainda que seja só um bocadinho e em regime de meio anonimato! Ainda para mais odeio remexer em tristezas e melancolias. Mas às vezes temos de nos superar (a nós e a aos nossos pequenos fantasmas) com pequenas coisas, e esta publicação é uma boa oportunidade... 
O desencantamento já existiu em mim sob várias formas: aquele desencantamento quando olhamos para a pessoa que está ao nosso lado e percebemos que já não sentimos nada por ela; aquele desencantamento quando a outra pessoa nos diz que tudo acabou e  ficámos sós, a chorar baba e ranho pelas injustiças do mundo e aquele desencantamento, que dói mais que todos os outros, que é quando nada chega a começar por diversas razões (distâncias, diferenças, incompatibilidades várias…) e ficamos desencantadas antes mesmo de sentir encantamento. Este dói mais fundo, durante mais tempo (talvez por não o partilharmos com ninguém) e mesmo quando achamos que está tudo bem, a nossa actividade onírica prega-nos uma partida e voltamos a senti-lo outra vez. Vou partilhar convosco um texto que escrevi há uns dias (mas com modificações), que ilustra este desencantamento que, mais do que tristeza, gera raiva e uma frustração que demora a ter fim. 

            Enlaçaste os teus dedos nos meus e eu, apesar de confusa e de lá no fundo achar que aquilo não podia ser real, acreditei e deixei-me ir.
            Estava a ser um dia maravilhoso, apesar das nuvens e da chuva, e do ar melancólico que as árvores de um jardim que não conheço tomavam. Olhavas para mim exactamente da mesma maneira como eu olhava para ti, e conversávamos como sempre conversámos, de tudo e de nada, e rimos como sempre de tudo e de nada, mas desta vez era diferente.
            Já há muito tempo que não devia sentir tão feliz, porque já não me lembrava de sentir aquela alegria que quase doía. E, apesar do frio, no meu peito havia calor, aquele calor morno e suave dos sonhos bons.
            Devo ter acordado com algum barulho, porque demorei alguns segundos para perceber que estava de olhos abertos e que ainda era noite. E quarto estava escuro, os teus olhos já não procuravam os meus, e, principalmente, a minha mão já não estava na tua. E senti-me sozinha e vazia, como se um vento gelado tivesse deixado um rasto de amargura e desencantamento no exacto momento em que abri os olhos…






Para o ilustrar com uma receita o desencantamento, escolhi fazer uns Profiteroles com gelado de limão cobertos com glace. Profiteroles por serem sensaborões e ocos (por sí só) representam a sensação de vazio, gelado de limão, pelo frio que nos gela o coração nessas alturas (e limão --> amargura), e a glace que antecede tudo isto (porque para haver a amargura do desencantamento tem também de haver a doçura do encantamento). Ficaram bons para quem goste de limão (eu confesso que não sou das mais ferrenhas apreciadoras), mas aconselho a tirar os porfiteroles do congelador uma hora antes. Receita dos profiteroles aqui e o resto inventei (tive sorte em os profiteroles não virarem, também eles, um verdadeiro desencantamento...)
Ingredientes dos profiteroles: (deu-me 36 unidades)
2,5dl de água
75g de margarina
1 casca de limão
1 pitada de sal
175g de farinha
3 a 4 ovos
 Modo de fazer: Levar ao lume um tacho com a água, a margarina, a casca do limão e o sal. Quando ferver adicionar a farinha de uma vez e bater bem. A receita originar dizia para levar novamente ao lume até a massa fazer uma bola que se despegasse do tacho, mas como eu consegui isso logo saltei esta parte. Deixar arrefecer um pouco e adicionar os ovos um a um, batendo bem (eu usei sempre as minhas mãos). Só adicionar o ovo seguinte quando o anterior estiver completamente absorvido. Sobre um tabuleiro untado dispor montinhos de massa com um saco de pasteleiro (como estava na terra e não tinha lá o saco de pasteleiro, usei uma colher para fazer as bolinhas, que foi o que lhes deu este aspecto feioso rústico). evar a forno quente 10 minutos. A massa está cozida quando ao deixar cair um profitorele este faz um barulho seco (toc!). Rechear a gosto, salgado ou insonso. Eu recheei com gelado de limão:
 Ingredientes Gelado de Limão
5 iogurtes naturais
sumo de meio limão
raspa de um limão
Açúcar a gosto
1 tampinha de essência de baunilha
 Modo de fazer: Misturar os ingredientes e levar ao congelador. Mexer de meia em meia hora para ficar cremoso. Rechear os profiteroles e cobrir com a glace.
Ingredientes Glace
Açúcar em pó
Leite
Modo de fazer: Juntar a um pouco de açúcar em pó e juntar leite a pouco e pouco mexendo até ficar uma pasta/líquido grosso. Cobrir os profiteroles.

O aspecto não é dos melhores, mas também é desencantamento, bonito de mais podia parecer incongruência!

Espero que gostem, eu adorei participar*

sábado, 7 de abril de 2012

Folar(es)

Olá a todos! Como é costume cá na terra do meu pai (que fica em Trás-os-Montes, ao pé de Mogadouro), faz-se sempre o folar na altura da Páscoa. Costumamos fazer imensos folares de carne, no forno a lenha, com a minha prima, mas apanhamos um frio desgraçado, e este ano apetecia-nos fazer os folares sozinhas, à nossa maneira. Fizemos no forno eléctrico (o meu adorado forno eléctrico, com temperaturas, ventoinha, lâmpada e temporizador...) e fizemos 3: um de carne, um de açúcar e canela (o meu favorito) e um de fiambre e queijo (o favorito da minha irmã). Como a minha prima faz tudo a olho, tivemos deste ano tirar a receita daqui (fazendo alguma modificações e dobrando a receita) e ainda bem que o fizemos, porque ficaram tão bons que apesar de terem sido feito na 5ª, já se comeram e tivemos de fazer mais. 

Ingredientes:
12 ovos
60 gr fermento de padeiro
1,2 Kg de farinha
4 c. sopa de azeite
120 gr de manteiga
1 dl de água tépida
2 c. chá de sal

Modo de fazer: Pôr a farinha num alguidar. Dissolver o fermento na água morna e juntar. Misturar um pouco. Juntar a manteiga derretida com o azeite e misturar. Juntar os ovos um a um misturando entre cada adição. Deixar levedar durante uma hora num local quentinho (como aqui está um gelo, foi ao pé do irradiador) coberto com um lençol e um cobertor (cuidado para deixar o lençol e o pano esticados no alguidar, sem tocar na massa). Depois é a parte divertida, recheá-los do que quisermos:

Folar de carne:
Untar um tabuleiro com margarina e farinha (se for usado um forno de lenha metem-se lá directamente, sem ser num tabuleiro). Dispor uma camada de massa, uma camada de "chicha" (bacon, presento, chouriço, etc etc...), uma de massa, outra de chicha e acabar com outra de massa. Enrolar as bordas e levar ao forno.

Folar de fiambre e queijo:
Untar um tabuleiro com margarina e farinha (blá blá blá igual acima). Dispor uma camada de massa, duas camadas de fiambre, duas de queijo e acabar com uma de fiambre (se puserem a camada de queijo directamente na massa o queijo desaparece). Enrolar como uma torta.


Folar de canela:


Untar um tabuleiro... (etc etc). Dispor uma camada de massa, canela com fartura, regar com amêndoa amarga ou outro licor que seja da vossa preferência, açúcar, mais uma camada de massa, canela, amêndoa amarga e açúcar e acabar com uma de massa.


Levar os folares ao forno de lenha, a gás ou eléctrico (180ºC, meia hora).
Quentinhos, estavam uma delícia!


terça-feira, 20 de março de 2012

Torta de laranja


Esta torta é para mim uma das sobremesas mais deliciosas que se fazem nesta casa, apesar de ser feita pouquíssimas vezes, por várias razões: a primeira é porque é um atentado ao colesterol (8 ovos+manteiga numa tortinha pequenina???) e a segunda, igualmente de peso, é porque tenho medo de enrolar tortas. Medo, mesmo a sério. Por isso nunca enrolei nenhuma, e por isso quando esta torta é feita cá em casa ouve-se sempre o "Mãeeeeee!" característico dos meus apuros culinários. A receita foi tirada num conjunto de fichas culinárias que são amostras publicitárias de um livro de culinária (muito interessante, por sinal). A Lena  (a mesma do Bolo Húmido de Pêra) tem-o lá em casa, e está divido por vários capítulos. Esta diz respeito à primeira receita do capítulo 5 "Bolos e Tortas".
Esta fatia foi o que sobrou de uma visita aos primos num domingo destes. Não houve tempo para uma foto com a torta inteira. Quando a voltar a fazer (pode ser que me atreva a enrolá-la para a próxima), acrescento a foto. Mas vamos à receita:

Ingredientes
350 gr de açúcar
1 c. chá de farinha de trigo
Raspa de uma laranja
1,5 dl de sumo de laranja (às vezes ponho um bocadinho mais, se a laranja não for especialmente apetitosa)
8 ovos
80 gr de margarina

Modo de fazer: Misturar o açúcar com a farinha e a raspa e o sumo de laranja. Juntar os ovos e bater bem até o açúcar estar desfeito (cuidado para a massa não ganhar espuma). Derreter a margarina  e juntar ao creme. Mexer bem. Deitar a mistura num tabuleiro forrado com papel vegetal e bem untado com margarina. Levar a forno bem quente (o meu forno é bom nisto, às vezes bom demais...) durante 20 minutos.
Agora a parte dramática, digna de um filme de terror: virar o tabuleiro com cuidado (ai!) sobre um pano polvilhado com açúcar e enrolar a torta cuidadosamente com a ajuda do pano. Deixar arrefecer um bocadinho, mas colocá-la no prato de servir o mais depressa que conseguirem, pois vai deitar um "molhinho" que torna esta torta algo de fantástico (na torta da foto o molho "já era").
A receita original diz para enfeitar com raspas de laranja, mas nunca faço isso.
Dá um torta pequena em proporção com a quantidade de colesterol, mas um dia não são dias.
Bom apetite!


segunda-feira, 19 de março de 2012

O que os anjos comem ao pequeno almoço

É tempo de pôr a partilha de receitas em dia! Vou tentar arranjar tempo para mais e frequentes actualizações deste cantinho.



Na semana que passou, sempre que saía da estação encontrava-a um ou dois homens a vender morangos ("Uma caixa um euro, uma caixa um euro!"). Está bem que são morangos "da candonga", maduros de mais (portanto docíssimos, mnham) e um ou outro tocado, mas a minha vontade deles era superior a todos os preceitos de higiene e um dia lá calhou comprar uma caixa deles para fazer uma sobremesa com morangos e shortcake de chocolate. Depois de correr meia cidade em busca de uma caixa de shortcakes, desisti e fui para casa improvisar qualquer coisa com o que tinha. E foi assim que surgiu esta sobremesa, que deve ser o que os anjos comem ao pequeno almoço...

Ingredientes:
2 pacotes de natas
5 colheres sopa açúcar
1 pacote de bolacha maria (também deve ficar bom com palitos de la reine)
1 caixa de morangos maduros
1 café expresso+3 colheres sopa de açúcar (para a próxima meto também uma pinguinha de amêndoa amarga...)
1/2 tablete de chocolate derretido com uma colher de margarina e um pouco de leite

Modo de fazer: Bater as natas em chantilli com o açúcar. Na tigela de servir, dispor uma camada de bolacha maria humedecida com a mistura de café e açúcar (e amêndoa amarga, se quiserem), natas, morangos partidos em quartos e chocolate derretido. Repetir mais uma vez e acabar com uma camada de natas, dispôr os últimos morangos e cobrir tudo com o resto do chocolate derretido em fio. Levar ao frigorífico de um dia para o outro para as bolachas ficarem bem amolecidas e absorverem os sabores do chantilli e dos morangos. De comer e chorar por mais, aconselho vivamente!

sábado, 17 de março de 2012

Blogagem Colectiva: Amor aos pedaços - Encantamento e Farófias


Apesar deste post já vir atrasado (era para ter sido publicado dia 15), foi escrito com muito carinho. Ainda para mais é a primeira vez que faço parte de uma blogagem colectiva!
Não sabia o que dizer do "Encantamento", do "Enamoramento". Fiquei um pouco apreensiva: que posso eu dizer sobre uma coisa que nunca me aconteceu? Nunca fui de paixões (nunca me apaixonei, no sentido literal e arrebatador da palavra), muito menos de amores à primeira vista. Borboletas no estômago não é comigo. Estava um pouco apreensiva quanto ao que ia escrever neste post. Encantamento, o que será ao certo a fase de encantamento? Eu sou daquelas pessoas que são apaixonadas pela vida, mas no que toca a pessoas sou mais de paixonetas, apesar de não gostar muito desta palavra. Paixões que nem o chegam a ser, por serem tão “do momento”, tão efémeras e passageiras como nuvens mal semeadas numa tarde de verão.
Por acaso (ou não, que o acaso é sempre subjetivo para mim), dei por mim a ver as fotografias e filmagens dos meus primos. Porque eu, apesar de ser uma pessoa de paixonetas, sou também uma pessoa de primos, de família, dos “meus meninos”. E dei por mim a ver as suas caritas sorridentes, os seus beicinhos plantados no meio de bochechas bolachudas, as filmagens dos beijinhos para a câmara a seguir ao “adeus prima!” da praxe e percebi que o encantamento é isto. É olhar pela primeira vez para a carinha do membro mais novo da família, pegá-lo nos braços, sentir-lhes o cheiro a água-de-colónia e a amaciador de roupa e ficarmos automaticamente apaixonados. É inevitável. E isso vai-se constantemente renovando quando corro atrás de uma miúda irrequieta e lhe faço cócegas na barriga até não se ouvir mais nada do que gargalhadas, quando lhes pego nas mãozinhas sapudas e ajudo-os a atravessar a rua (“tu vê lá os carros!”), quando acedo a um pedido feito com voz fininha para que a eu diga que sim. Quando lhes conto uma história. Quando os vejo correr atrás uns dos outros. Quando me dão um último abraço só para adiar o momento em que me vou embora. E sinto o mesmo que da primeira vez que lhes peguei ao colo: puro encantamento.

E para ilustrar esta fase, em que tudo parece doce, fofo e leve, nada melhor do que uma das minhas sobremesas favoritas: Farófias!

Ingredientes:
3 ovos
1/2 L de leite
1 "tampa" de essência de baunilha.
6 c. sopa de açúcar
2 c. chá de preparado de pudim flan instantâneo ou farinha maizena
Modo de fazer: Bater as claras em castelo com 3 c. de açúcar. Num tacho, misturar o leite com o restante açúcar e a essência de baunilha e levar ao lume. Quando estiver quente, cozer "colheradas" do preparado das calras em castelo, virando de vez em quando. Retirar com uma espumadeira e pôr em tacinhas ou numa taça grande quando estiverem firmes (mas não duras demais). Dissolver as gemas batidas e o preparado de pudim/farinha maizena num pouco de leite frio e incorporar no leite. Mexer com uma vara de arames até ficar mais consistente. Despejar cuidadosamente nas tacinhas/taça, polvilhar com canela e levar ao frio até servir.
Bom Apetite!



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Saga do Tofu! (ou, simplesmente, como fazer tofu caseiro)

Com o começo do 2º semestre ainda não tinha tido oportunidade de relatar a minha aventura do tofu. Bem, não foi bem uma aventura, porque aventura é, por ex., saltar de uma ponte, escalar uma montanha, enfim, que envolva sempre um certo risco e adrenalina, e nesta aventura só houve disto antes de meter "a mão na massa" . Porque eu estava a fazer um filme de todo o tamanho com a arte de fazer o tofu, sabem, é que aquilo parecia magia!
Pesquisei em vários sites e fui tirando umas coisas daqui e dali, mas no essencial baseei-me aqui e aqui. Depois fiz as minhas adaptações porque tinha de fazer as coisas simples, porque eu sou assim: se não for simples e rápido, mesmo que seja bom, eu nunca o vou fazer com regularidade. Daí as minhas reticências, mas correu tudo bem, muito melhor do que é costume acontecer nas minhas primeiras experiências e infinitamente melhor do que eu estava à espera!
É do mais fácil que há, senão vejam o passo-e-passo:

Ingredientes:
1 cháv. de feijões de soja
1 litro de água (usei do garrafão)
3,5 colheres de sopa de sumo de limão (coado)

Instrumentos:
Fralda de pano
Molde de tofu - improvisei com uma caixa de margarina à qual fiz vários furos no fundo
Peso para prensar - comprei um daqueles sacos de pedras no Chinês eheh

Modo de fazer: Pôr os feijões de molho em água de um dia para o outro (comprei os feijões no Celeiro, e havia um ou outro furado, convém escolher) . Os meus ficaram umas 12 horas e meia. O aspecto deles era este:



Pegar em metade dos feijões, escorrê-los e triturá-los no liquidificador com metade da água. Em vários sites aconselharam-me a descascar os feijões, mas santa paciência, eu não tenho a paciência dos orientais. Vi em qualquer lado que o tofu iria saber mal, mas eu não descasquei os feijões e ficou um tofu delicioso na mesma.  Fazer os mesmos com os restantes feijões e restante água:

Levar tudo a lume baixo e quando ferver contar 20 min, mexendo de vez em quando. Cuidado porque ao ferver pode transbordar, daí ter usado uma panela grande:

De seguida, coar utilizando a fralda ou um passador de rede muito fina. Eu usei o passador (cuidado porque o leite está a ferver, daí ter utilizado o passador, para não ter de esperar que arrefecesse). E pronto, temos o leite de soja (na panela) e o okara, na rede. O okara pode utilizar-se para fazer uma série de coisas, este okara virou hamburgueres (outra experiência).

Levar a panela para um sítio onde não corra o risco de ser mudada de sítio (se viverem com pessoas como o meu pai) porque ao que parece o tofu enquanto está a coagular precisa de paz e sossego. Quando estiver mais morno (quando conseguirem tolerá-lo no pulso) deitar-lhe o sumo de limão e dar-lhe uma mexidela rápida. Para meu espanto, logo assim que deitei o leite começou a coagular instantaneamente! Feitiçaria! O tofu assim que começa a coagular fica assim:


Agora é só deixá-lo estar sossegadinho durante 30 min. A partir daqui não há mais fotos porque a minha irmã teve de ir para a faculdade (a minha máquina fotográfica não resistiu e acabou por falecer, daí ter de tirar as fotos com o telemóvel dela). Ao fim deste tempo, forrar o molde com a fralda (a minha fralda é grande demais, para a próxima vou cortá-la), e despejar gentilmente o leite coagulado para lá. O soro vai escorrer pelos furinhos e só vai ficar a "massa" do tofu no molde! Calcar com, de preferência, uma tampa de madeira (vou pedir ao meu avô que me faça uma com o comprimento da caixa), mas como eu não tinha calquei com a tampa da caixa de margarina cortada. Tapar com a fralda e colocar os pesos em cima.

LOL

O tempo que os pesos têm de ficar em cima do tofu varia com a consistência que pretendemos. Eu queria o meu bem duro, portanto ficou uns 45 min, mas o peso devia ser pouco e o tofu acabou por ficar um pouco mole de mais para o meu gosto. Contudo, ainda bem que assim foi, porque deu origem a uma das minhas mais tenebrosas experiências que já tive desde que cozinho: patê de tofu. Não sei o que me deu na cabeça, mas tinha lá a família em casa, o tofu no frigorífico e uns palitos de pão e azeitonas e decidi fazer patê. Triturei aquilo tudo no robô de cozinha (vulgo 1, 2, 3), juntei-lhe salsa e isto e mais aquilo, entre as quais uma dose industrial de pimenta em pó e cebola picada, o que tornou aquilo incomestível de tão forte. Mas ficou uma pasta com a consistência do queijo creme, e assim tive a brilhante ideia de usar o que sobrou (ou seja, quase tudo) numas massas carbonara. E digo-vos, podia enganar toda a gente e dizer que eram massas com natas que toda a gente acreditava! Assim, daqui em diante, o tofu caseiro e molinho vai ser utilizado muitas vezes para substituir as natas (será que é desta que faço um strogoff???)
Como vêm, apesar de ter muitos passinhos e exigir alguma disponibilidade (cerca de 1h30) é uma coisa extremamente fácil de fazer, e é uma coisa que fica bastante económica. 1 cháv. de feijões de soja deu-me para umas 300g ou 400g de tofu, e ainda me deu o okara, com a qual fiz hamburgueres (quando a receita tiver sido aperfeiçoada, posto no blogue!)