sábado, 14 de dezembro de 2013

Rabanadas recheadas com leite condensado e chocolate quente


Rotinas ou rituais?
Estou neste momento (ok, devia estar!) a fazer um trabalho sobre os rituais familiares. E dei-me conta, pela primeira vez, que a minha família tem imensos rituais. De Natal, de aniversários, de casamentos, baptizados e outras comemorações de todos os dias. 
Quando terminei a licenciatura (o meu curso tem mestrado integrado, acabar a licenciatura não significa rigorosamente nada) não queria comemorações, não valia a pena. A minha família nem quis ouvir: um dia pegaram em mim, com a desculpa de ir às compras, e levaram-me ao chinês jantar. Cheguei lá e tinha a minha avó, a minha tia e o meu primo a completarem a surpresa. 
Até quando começámos a tirar a carta fizemos um bolo, que comemos acompanhado de um brinde com vinho do porto. Afinal, era mais uma etapa da nossa vida, tinha de ser comemorada. 


Só para exemplificar que a minha família adora comemorar tudo, principalmente com comida. São tantos os rituais que temos que quase deixam de ser rituais, e passam a ser rotina. Temos a rotina de criar rituais.


O Natal, a festa preferida da minha família, tem de haver sempre o dia 24 a pôr o peru de molho (com os mais pequenos, se os houver, a esfregar o peru com bocados de limão), a amassar filhós e a preparar tudo o resto. A ceia de Natal tem de incluir bacalhau, batatas, couves, Guaraná (para mim, o Natal sabe a Guaraná), ananás às fatias, tronco de natal, lampreia, molotov, filhós e azevias de grão. Depois a minha avó mascara-se de pai Natal, sai à rua, toca à campainha e vimos nós feitos loucos "Chegou o Pai Natal! Chegou o Pai Natal!", tiramos a foto, conversamos com o "Pai Natal" que faz piadas com cada um de nós e abrimos as prendas. Até abrir as prendas tem um ritual: tem de ser um elemento da família de cada vez e batemos todos palmas quando se abre cada uma das prendas. Depois temos a missa do galo e, no dia de Natal, depois de um almoço que inclui sempre peru recheado, arroz com pinhões, passas e açafrão, esparregado e os restos das sobremesas, temos jogos de tabuleiro com a família toda, jogo do 7 e meio e bombons belgas. Ao jantar estamos todos a rebentar, portanto há sempre uma sopinha simples para quem quiser. 


Para além destes rituais já feitos, gosto também de criar rituais. Este ano, queria porque queria começar um ritual só meu, da "manhã de Natal antes do Natal no relax!". Incluía chocolate quente, umas rabanadas que vi há muito tempo no programa JA ao Lume (recheadas com leite condensado cozido, uma perdição!) e programas de culinária. Incluí a minha mãe, que está de férias, e passámos uma manhã super agradável, de manta no colo, coração quentinho e, na tv, a passar o 24Kitchen. 


E com estas duas receitas participo no Desafio de Natal do blogue Receitas da Piteca. Piteca, espero que gostes destas duas receitas que se vão tornar num ritual de Natal cá em casa e que, por isso, foram feitas com todo o carinho do mundo!


Ingredientes
Chocolate quente (2 pessoas)
1 tablete de chocolate de culinária
500 ml de leite de soja natural (podem usar leite simples)
1 c. chá rasa de farinha maizena
canela a gosto

Rabanadas de leite condensado (2 pessoas)
4 fatias de pão de forma integral
2 c. sopa de leite condensado cozido
Um pouco de leite+açúcar+1 casca de limão
1 ovo
açúcar e canela para polvilhar
1 c. sopa de margarina

Modo de fazer: 
Chocolate quente
Levar todos os ingredientes ao lume. Mexer com uma vara de arames até engrossar. 


Rabanadas de leite condensado:
Cobrir com uma colher de leite condensado cozido uma fatia de pão. Colocar a outra por cima, de modo a formar duas sandes.
Amornar o leite juntamente com o açúcar e a raspa de limão e deitar numa tigela rasa. Bater o ovo e deitar noutra tigela rasa. 
Numa frigideira, derreter a margarina. Passar as sandes de leite condensado pelo leite e pelo ovo. Fritar, virando a meio da fritura para ficarem os dois lados tostadinhos. 


Escorrer numa folha de papel absorvente, polvilhar com açúcar e canela dos dois lados e degustar, mergulhando a rabanada no creme espesso do chocolate quente!
Uma perdição, e é garantido que ficam almoçados.


Quem por aí tem também tradições que antecedem o Natal?

Ainda podem participar no passatempo da Piteca! Têm até amanhã às 23h59. Bastam irem para este link e seguirem as instruções: http://receitasdapiteca.blogspot.pt/2013/11/desafio-de-natal-2013.html



Venda de Doces - Oeiras


Olá a todos! Amanhã, domingo dia 15, estaremos novamente na Feira de Rua de Oeiras! Das 11h às 17h

Estaremos com as compotas e licores caseiros do costume - e alguns sabores novos! Mantemos os preços: compotas a 1.5 euros (frasco de 350gr) e as garrafinhas de licor (200 ml) a 2 euros. Baratos e deliciosos!



Teremos ainda cabazes de licores e compotas a preços muito simpáticos, para oferecerem no Natal. 


Desta vez, estarão com uma decoração um pouco mais natalícia!

Para mais informações, podem consultar o evento do Facebook

Para chegarem lá: a feira realiza-se na Alameda Conde Oeiras, frente aos antigos CTT. Infelizmente, como os CTT já lá não estão, retiraram a placa indicativa, que dava um jeitaço para darem com o sítio. De qualquer maneira, se não nos encontrarem sigam o barulho (vai lá haver música) ou perguntem a alguém onde ficam os antigos CTT que certamente toda a gente vos saberá dizer. 

As coordenadas GPS são estas, mais ou menos: 38.6938, -9.32132.


Espero contar com vocês! Mesmo que não venham para comprar (sei que a crise afetou toda a gente) passem por lá para me me dar um beijinho e para me conhecerem. Estou sempre deste lado e vocês desse, gostava de nos pudermos encontrar e conversar um bocadinho!

Na feira há de tudo, desde roupa em segunda mão (a feira passada comprei lá um casaco de inverno a 7.5 euros, completamente novo e lindo!), artesanato, brigadeiros, bolos, bolachas, livros (comprei livros do J. R. dos Santos a 3 euros!) e muita animação. Para quem tem filhos, então, passa-se uma tarde mesmo bem passada.

Agora aqui vão umas fotos da última feira, para vos deixar com água na boca. Espero contar com a vossa presença!
















segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Raita de pepino/Tzatziki


É raita? É tzatziki? Não sei qual dos dois nomes é o mais correcto, mas deixei "raita" que foi o nome  que a Maria do blogue The Love Food lhe deu.
Fui pesquisar por curiosidade à wikipédia e deu-me isto:

Raita: "Raita é um molho indiano à base de iogurte, que pode ser temperado com coentros, cominhos, hortelã e pimenta. No fim da preparação, são misturados vegetais tais como pepino, cebola e, por vezes, alho e sumo de limão.  Possui algumas semelhanças com taztziki, da culinária da Grécia"
Tzatziki: "É preparado com iogurte, pepino, alho, sal, azeite, pimenta preta e endro, sendo por vezes também acrescentado sumo de limão, salsa ou hortelã. Os pepinos são transformados em puré e espremidos ou cortados em cubos pequenos". 


Raita ou taztziki, não importa: é absolutamente delicioso!
Este serviu para acompanhar um Tofu Crocante à Indiana (também do blogue The Love Food), que será a próxima receita a publicar.


Espero que se sintam motivados a experimentar, é simples, fácil e uma delícia. 

Ingredientes
1 pepino
1 iogurte de soja natural (podem usar iogurte normal)
1 c. sopa de sumo de limão
1 c. sopa de hortelã picada
1/2 c, chá de açúcar
sal fino, pimenta e alho em pó a gosto


Modo de fazer: Ralar metade do pepino e cortar a outra metade em fatias muito finas. Numa tigela misturar o pepino, o iogurte, o sumo de limão, a hortelã, o açúcar e os restantes ingredientes. Guardar no frigorífico até servir (quanto mais fresco estiver, melhor).


Eu e a minha irmã andámos viciadas nele durante o verão. Fica bem com tudo, em especial com pratos picantes, mas a verdade é que pode servir de acompanhamento a inúmeros pratos. Já o fizemos tantas e tantas vezes que nem sei como ainda não tinha publicado a receita aqui no blogue!

Aqui está a raita de pepino a acompanhar o tofu crocante à indiana, que será a próxima receita!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Crumble de amora


Todos os anos, o fim do mês de agosto é dedicado a apanhar amoras silvestres na terra do meu pai. Usamos a maioria para fazer doce, mas outra parte congelamos - seja na esperança de fazer doce mais tarde ou para utilizarmos noutras receitas.

E foi assim que numa tarde fria e chuvosa do início do mês a minha irmã lembrou-se de experimentarmos um dos crumbles da Joana Macieira, do blogue "Palavras que enchem a barriga", só que em vez de mirtilos, utilizámos amoras!


E sentada no sofá, com uma mantinha nas pernas, e na tv a passar um episódio do masterchef... soube-me pela vida!

(e que saudades do principio do mês, em que podia dar-me a luxo de fazer uma pausa para lanchar confortavelmente no sofá!)

Ingredientes (1 pessoa)
Amoras - pus uma mão cheia delas
25 gr de açúcar mascavado
10 gr de farinha integral
12.5 gr de margarina fria

Modo de fazer: 
Colocar as amoras numa tigela/ramequin para ir ao forno (eu nem descongelei as minhas primeiro).

À parte, misturar os restantes ingredientes (usei os dedos) até ficar com a consistência da areia molhada. 



Cobrir as amoras com esta mistura e levar ao forno, pré-aquecido a 180ºC durante 40 min. 



Tarãn! É bom demais!


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cobertura/recheio de chocolate branco e o Bolo da Maria - e uma dissertação sobre um dia negro para a cozinha


Gostava de conseguir dizer que os meus cozinhados saem sempre bem. Gostava mesmo. Pelo menos ao falar de receitas simples, que já repeti mil vezes e que têm tudo para correr bem.

Mas a verdade é que há dias em que TUDO corre mal. E que parece que a melhor solução é voltarmos para a cama que amanhã é um novo dia.

Como vêm, esta história vai ter um final feliz!
Mas eu não sou pessoa de desistir facilmente. Interiorizei bastante bem a teoria da minha avó: "Quando tudo corre mal, tens de te rir! Assim o Diabo fica baralhado e deixa de te chatear". E foi isso que fiz quando dediquei parte da minha terça-feira livre ao bolo de aniversário da minha amiga Maria. 

Tinha tudo para correr bem: a receita seria do pão-de-ló que já mostrei aqui (e que já testei montes de vezes e correu sempre bem), iria recheá-lo com duas camadas do meu doce de morango, e cobri-lo com uma cobertura de chocolate que já tinha feito no bolo de aniversário de um amigo (mas que não publiquei porque foi numa altura em que não tinha máquina). Para decoração, uns chocolates seria suficiente. 

Planeava uma tarde relaxante... Diabo (se existes!): és tão engraçado.


Aqui vai a descrição da montagem do bolo, acompanhado pela descrição do meu dia:

14h - mais coisa menos coisa
A seguir ao almoço, lá fui eu toda contente fazer o bolo da Maria. Fui ver a receita aqui no blogue e comecei a pensar: "isto é imenso bolo... o melhor mesmo é fazer só 1/3 da receita". Fui buscar a forma. E agora, onde anda a forma? Tinha mesmo ideia que a tinha trazido da terra. Procurei, procurei e nada. O bolo tinha de ser redondo, era essencial para a minha ideia de decoração. Felizmente, tinha outra forma parecida - mas não reparei que o diâmetro desta era muito superior ao da outra. Fiz 1/3 da receita como tinha planeado, e foi só ao deitar a massa na forma que reparei que ficava tipo panqueca. "Não faz mal, agora o bolo cresce!". Ignorei o facto de estar farta de saber que este bolo não cresce.
E não cresceu. Mas ficou bonito, saiu impecavelmente da forma e cheirava divinalmente. Decidi não dar importância ao assunto: seria um bolo baixinho, mas se os homens não se medem aos palmos, os bolos também não. Eu também sou baixinha: ia ter um bolo a condizer comigo (nota: ainda o bolo estava no forno e a forma desaparecida já tinha reaparecido misteriosamente). 

18h
O bolo tipo panqueca já tinha tinha arrefecido. Estava na altura de dividir o bolo. Podia fazer só uma camada, mas eu queria duas e ia tê-las: e foi a parte que correu bem (!). Para dividir o bolo, sigo sempre o mesmo método e dou-me sempre bem. Tenho pena de não ter tirado foto aos processo, mas hei-de fazê-lo. Começo por marcar com uma faca em redor do bolo as camadas que quero fazer. Com linha de alinhavar, passo a linha pela marcação, e torço - é a fita que corta o bolo. Para tirar a camada sem se partir, ponho uma tampa ou um tabuleiro por cima e com a faca faço a transição. Recheei com doce de morango.

As três parte do bolo: uma na transportadora, outra no tabuleiro que uso para "fritar" as batatas de forno e a outra numa tampa de uma panela


Agora era a vez da cobertura. Da outra vez, bastou-me bater as natas em chantilly firme, derreter o chocolate em banho maria, juntar tudo, mexer com uma vara de arames, deixar arrefecer e fiquei com um creme consistente para decorações com o saco de pasteleiro. Mas da outra vez era chocolate preto, e não chocolate branco.

Começou a correr mal logo ao bater as natas em chantilly: não havia meio de ficarem firmes. Usei 3 saquetas de um preparado que uma prima traz da Alemanha, que ajuda nestas coisas, e nada. Bati e bati até me ficarem a doer os braços (esquerdo e direito: que jeito me dá às vezes ser ambidestra!). "Pode ser que com o chocolate fique mais firme!". Mas essa era outra coisa que estava a correr mal: o chocolate não derretia. Não se comportava nada como o chocolate preto: ficou apenas uma papa estranha. Juntei um pouco das natas que ainda não tinham virado chantilly e aquilo lá derreteu como deve ser. Juntei tudo e tinha uma espécie de natas com sabor a chocolate. Da consistência das natas. Não conseguia trabalhar com aquilo. Decidi meter aquilo no frigorífico e ir jantar. Podia ser que o frio torna-se o creme mais consistente!

21h45
Não tornou. Subiu-me as fúrias e continuei a bater. Ia bater as natas a noite inteira se fosse preciso, mas aquilo ia virar chantilly! Passado um bocado, comecei a ver os resultados do meu esforço: as natas transformaram-se em manteiga. 

Foi aqui que me comecei a rir. Ia ficar o bolo mais horrível de todos os tempos. Ia-se tornar uma piada com o passar dos anos: "Lembram-se daquele bolo que fiz para os anos da Maria, em que as natas viraram manteiga?". Já me imaginava a ir buscar um bolo a Pingo Doce, mas entretanto lembrei-me de meter aquilo tudo no fogão, com uma colher de farinha maizena dissolvida num pouco de leite. E ficou assim:

Tarãn!
E foi assim que nasceu uma deliciosa cobertura de chocolate branco, das coberturas mais deliciosas que já fiz! Enfim, foi um desastre feliz. Decorei com malterers e biscoitos cobertos (tudo da marca do continente). Como o bolo estava muito baixinho, tive de acertar os biscoitos.

Juro que o Continente não patrocinou este post!


Toda a gente gostou, e foi um bolo bastante elogiado (apesar de, na minha opinião, ter ficado enjoativo) mas mesmo que o bolo tivesse ficado uma porcaria e acabássemos a comer pasteis de nata do Pingo Doce teria sido divertido na mesma. Quando estamos com pessoas que gostamos pormenores como o que comemos, o que fazemos, essas coisas, passam a ser acessórios. 

Portanto cá vai a receita da cobertura como deve ser, para não passarem pelo que eu passei!


Ingredientes
200 gr de chocolate branco para culinária
2 pacotes de natas
1 c. sopa de farinha maizena, dissolvida num pouco de leite.

Modo de Fazer: Juntar tudo num tachinho. Levar a lume brando mexendo sempre com uma vara de arames. Quando ficar com a consistência de um creme cremoso, apagar o lume e cobrir/rechear o bolo (é importante que o bolo a rechear esteja completamente frio).


Bom Apetite!

Segue-se agora a descrição da decoração do bolo, que é facílima:

Cobrir o bolo. Estão a ver a cobertura a pingar? Limpem isso tudo.

Dispor os rolinhos de chocolate, alternando os de chocolate branco com os de chocolate preto

Dispor os maltesers no centro do bolo

Tarãn!

Decorei ainda com umas estrelas coloridas com as letras do nome "Maria", que depois de impressas e recortadas colei nuns paus de espetadas

O bolo, agora com as velas coloridas!
Para o ano há mais Maria!